A obra Lux Anima. Iluminuras na Biblioteca de Évora, uma edição da Althum, coordenada por Antónia Fialho Conde,  e que partilha a autoria da obra com Isabel Cid, Cristina Dias, Teresa Ferreira e Catarina Miguel, investigadoras do CIDEHUS e do Laboratório HERCULES, Centros de Investigação da Universidade de Évora, será apresentada pela Diretora Regional de Cultura do Alentejo, Dr.ª Paula Amendoeira, na Biblioteca Pública de Évora no próximo dia 22 de Setembro pelas 18h30m.

Lux Anima pretende dar a conhecer alguns exemplares representativos da coleção de iluminados (manuscritos e incunábulos) que fazem parte do acervo na Biblioteca Pública de Évora. Foram selecionados BíbliasCânonesMissaisLivros de CapelaForaisLivros de Horas e incunábulos iluminados, de molde a sublinhar o seu valor documental, patrimonial e histórico, numa abordagem que apostou no trabalho de uma equipa pluridisciplinar, composta por investigadoras de diversas áreas, de que se sublinham a História, a Codicologia e a Química, unida em torno de um denominador comum – o estudo e a preservação da História e do Património Cultural.

No trabalho fica expresso que o conjunto de iluminados existente no acervo da Biblioteca Pública de Évora apresenta uma acentuada variedade sob os pontos de vista cronológico e geográfico, testemunho não só dos scriptoria de origem como também do gosto dos colecionadores, de que se destacam o visconde da Esperança, alguns arcebispos de Évora, nomeadamente, Frei Manuel do Cenáculo Villas-Boas e D. Frei Joaquim Xavier Botelho de Lima,  e ainda alguns bibliotecários, como J.H. da Cunha Rivara, que tornaram possível a presença na coleção de livros de grande qualidade técnica e estética.

A presença desses códices na coleção não pode ainda ser dissociada, por um lado, da implantação das comunidades monásticas a Sul do Tejo e muito particularmente em Évora, não apenas enquanto detentoras mas também como potencialmente criadoras e encomendadoras; por outro, o caso de Évora como cidade cosmopolita e universitária, assento de Corte, que testemunharia a circulação de manuscritos e impressos, marcando o seu lugar no espaço cultural português da altura.

A riqueza e a diversidade iconográficas presentes nas obras selecionadas testemunham ainda o valor da imagem enquanto documento. Embora dominem as imagens alusivas à esfera do sagrado, o seu interesse prende-se também com a presença de representações do mundo natural. Animais e plantas acabavam por ser escolhidos em função do seu significado simbólico, a nível bíblico ou das fontes clássicas, sendo que o rigorismo técnico-artístico se refletiria, ao longo dos séculos, no aperfeiçoar de cores e formas, no surgir da sombra e da tridimensionalidade, combinando o real e o imaginário. Toda essa riqueza se clarifica através da análise material presente no livro (cores predominantes, materiais de suporte, entre outros), possibilitando a abordagem dos factores de deterioração (tanto nos materiais de suporte como nas cores), elemento essencial para uma aposta na sua conservação.

Apostou-se num discurso abrangente, para diversos públicos e leitores, cientificamente exato, mas sem demasiada erudição, procurando fazer chegar a um público alargado e a um vasto leque de leitores a mensagem da importância do acervo eborense no que respeita à iluminura.